domingo, 15 de junho de 2008

Ariel no shopping

Analisando a personalidade da “Ariel” pude notar que adora estar bonita, mas não fica olhando no espelho toda hora para ver se está tudo “no lugar”. Para nosso passeio ao shopping se arrumou uma vez e pronto!

Ela se demonstrou muito autêntica. Parava nas lojas que mais a agradava olhava as vitrines, falava do que gostava, fez até um comentário: “não sei como essa roupa tão feia pode ser tão cara e tantas pessoas terem vontade de comprar”. Contudo era educada e perguntava se eu estava de acordo. Parava nas lojas, porém não ficou dando voltas no shopping, disse que prefere ir quando tem um objetivo e não enrolar muito. Pude notar que seu perfil é de alguém que abusa de muita liberdade. Não compramos nada, mas ela me mostrou várias coisas de que comprou e diz que seus familiares e namorado não gostaram, porém não deixou de adquirir.

Ela disse que estava com fome então fomos comer. Quando percebi que ela queria escolher o que comer, perguntei se havia algum lugar que ela comia sempre. Ela respondeu que não, cada vez que vai a um passeio procura algo diferente, exceto o sundae, que não pode faltar segunda ela.

Já havia analisado seu comportamento em outra ocasião e analisei que ela gosta de incentivar as pessoas a fazer o que deve ser feito. Não tem vergonha diante da sala de aula por exemplo e seu relacionamento - ela namora- é dinâmico. Ela não é romântica ou prática demais, é as duas coisas.
Carol Carvalho

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Cinderela em extinção!!!

O perfil cinderela foi meio difícil de ser encontrado para a pesquisa de campo. Nenhuma menina afirma gostar plenamente da Cinderela, mas se pesquisadas mais minuciosamente, muitas das que disseram não se identificar com a cinderela, possuem personalidades muito parecidas com esta personagem Disney. Nesta pesquisa minuciosa, já citada acima, levei uma "cinderela" ao shopping. Lá passamos a tarde toda, pude analisar como ela se comportava em relação a várias coisas.

A primeira atitude, que pude notar na nossa "cinderela", foi que antes de ir ao shopping ela se arrumou intensamente, penteou o cabelo muitas vezes no caminho. Isso é uma característica forte dela, como ela mesmo me confirmou. Sempre gosta de sair "perfeita".

Durante o nosso passeio no shopping ela parou muitas vezes para olhar as vitrines. Engraçado! A cinderela era bem pobre e não podia se vestir bem, porém quando teve a oportunidade ficou linda, com roupas muito bonitas. Depois desse comentário diria que nossa "cinderela" também gosta muito de se vestir bem. Parava nas vitrines e ficava admirada com as roupas, roupas comportadas comparadas às usadas por meninas da idade dela, 17 anos.

Depois de rodarmos o shopping todo fomos comer. Achei engraçado a indecisão dela. Ficou esperando minha decisão sobre o que comeria, para me acompanhar e comer o mesmo.

Na conversa, após o almoço pude perceber, que ela estava anciosa, parecia se incomodar em ter que passar a tarde comigo que, aliás, reparava em tudo que ela fazia.

Pensei em encerrar nosso passeio, mas insisti e resolvi convidá-la para ir ao cinema. Ela aceitou e escolheu o filme: TrÊs vezes amor.
Uma comédia romântica, na qual um homem em processo de divorcio, começa a contar para a sua filha seus romances e relembrar suas histórias de amor. Ele se apaixonou por três mulheres durante sua vida, diferentes entre si. Vai contando a tragetória de sua vida e a filha se encantando com suas histórias de amor. Durante o filme ela chegou a comentar que sonha encontrar a pessoa certa, e que quer muito se casar.

Saímos do cinema e resolvemos ir embora... O dia pareceu-me muito proveitoso, porém, não consegui saber qual seria sua reação numa situação de risco, se perguntasse a resposta poderia não ser espontânea.

Enfim, apesar de não se auto declarar "Cinderela", ela mostrou-se muito parecida com essa princesa Disney.

Natasha Fernandes






quinta-feira, 22 de maio de 2008

Uma nova análise sob outros olhares

Vamos tentar fazer uma análise mais aprofundada do resultado da pesquisa de campo, usando os dados que obtemos e que foram publicados no penúltimo post. Aqui, agora, tentaremos fazer uma análise da personalidade das princesas e, conseqüentemente, das meninas que se identificam com cada uma delas. Assim, poderemos ter uma visão mais clara a respeito dos grupos que são formados, consciente ou inconscientemente, pelas meninas. É claro que nem todas elas obrigatoriamente se identificam com alguma princesa, mas o que queremos analisar é justamente as que obtêm uma identificação seja pela história, pelas atitudes ou pela personalidade.


Bela (Bela e a Fera)

Todas as meninas que se identificam com ela querem se casar, ter filhos, ter sucesso em suas atividades, ser feliz, ter um marido que as respeite e atenda a suas expectativas e necessidades.
De acordo com a história da Bela, ela procura por sua independência a partir do momento em que decide se casar com quem ela quiser, indo contra as vontades do pai. Isso demonstra uma certa independência, talvez um pouco de rebeldia, por não acatar a um desejo do pai. Talvez as meninas se identifiquem com essa "rebeldia", ou independência, essa atitude de querer viver sua própria vida da forma que lhes convêm.


Branca de Neve

É submissa a partir do momento em que fica cuidando da casa enquanto os setes anõezinhos saem para trabalhar. Sonha em ser feliz ao lado de um príncipe que lhe tiraria daquela vida. Em um determinado momento, quando o príncipe a beija, ela desperta para a vida. Talvez isso seja apenas o momento mágico em que a princesa encontra seu amado, ou talvez seja algo mais profundo, demonstrando que ela despertou de sua condição para viver uma vida mais feliz. As meninas que se identificam com ela procuram uma espécie de salvador que lhes tire de uma condição não muito agradável. Não que essas meninas vivam da mesma forma que a princesa. Mas às vezes, as condições desagradáveis podem ser no aspecto psicológico, emocional. Talvez elas estejam vivendo suas vidas de uma forma enquanto querem mesmo vive-la de outra forma, da forma que lhes parece ser mais agradável.


Ariel

É a mais rebelde de todas as princesas. Não dá ouvidos às ordens do pai e faz o que bem entende. Tem um certo problema com autoridade. Não respeita limites. Ainda assim, procura ser feliz da forma que lhe convém e fazer de sua vida o que lhe interessa. As meninas que se identificam com ela são aquelas meninas que apresentam um espírito rebelde, que não se conformam com o que lhes é imposto. Gostam de agir de forma independente. Mesmo que não hajam de forma mais independente, elas pensam dessa forma. Se não são capazes de se "rebelarem" contra algo, seja por consciência ou instinto, mantém o desejo de se destacar dentro de si, reprimindo um pouco suas vontades de fazer algo de forma diferente. Mas isso não significa que sejam conformistas. Apenas sabem o momento certo para ceder.


Cinderela

Ela é submissa, uma vez que acata todas as ordens que as madrastas lhe dão. Surge uma oportunidade em forma de fada madrinha e Cinderela a aproveita muito bem, pedindo para ir ao baile. Lá, conhece um príncipe, que no final lhe tira daquela vida que antes levava. Mais uma vez o príncipe é o herói, o salvador que tira as princesas de situações desagradáveis. Eles são vistos como a verdadeira chance do "felizes para sempre". As meninas que se identificam com ela sonham em ter sucesso profissional e pessoal, ao lado de um marido que tenha atitude e personalidade, além de ser companheiro, fiel e que transmita segurança. Ou seja, elas procuram a felicidade ao lado de uma pessoa amada, que possa transmitir-lhes o que elas mais desejam encontrar para seus futuros. Tentam, de certa forma, encontrar alguém que lhes preencham esses anseios.


Jasmim

Ela também se enquadra na lista de princesas que têm um certo espírito rebelde. Não gosta de acatar as ordens do pai. Aparenta não se importar com bens materiais e procura simplicidade. Gosta de ter uma certa independência. As meninas que se identificam com ela procuram esta independência, um futuro estável que lhes agrade, um marido que seja bonito, surpreendente e que as faça feliz. Notamos que, pela primeira vez, o quesito beleza aparece na escolha do “príncipe”, o que não significa que as meninas que se identifiquem com ela sejam superficiais, apenas que classificaram a beleza como um atributo de valor equivalente aos outros “pré-requisitos” levados em consideração na hora de escolher um namorado.


Mulan

Mulher de espírito inquieto, ela parte para uma batalha, vestida de guerreiro, no lugar do pai. Em determinado momento, ela assume sua verdadeira identidade ao se mostrar mulher perante todo o exército. Isso pode ser um sinal claro de afirmação, já que, para a sociedade, ela não era muito “qualificada” para ser esposa e dona de casa. O fato dela se afirmar como mulher pode dar a idéia de coragem, já que naquele momento, essa virtude foi muito necessária. As meninas que se identificam com Mulan, procuram um namorado que se identifiquem com sua personalidade, ou seja, talvez elas procurem rapazes que também sejam corajosos e tomem atitudes sábias quando necessário, que façam o que julgarem necessário para lutarem por seus ideais e pelo que acreditam. Essas meninas procuram também por mudanças, que tragam benefícios para si mesmas ou para quem as rodeia. Todas elas querem constituir família, ter sucesso profissional e viajar, o que também pode ser um sinal de que elas desejam explorar as possibilidades futuras, conhecer o, até então, desconhecido (como ocorre com a princesa a partir do momento em que ela decide ir para a guerra).


Pocahontas

Ela tem um espírito livre, gosta da natureza, das plantas e animais que a cercam. É aventureira e dedicada a promover harmonia ao seu redor. As meninas que se identificam com ela têm um espírito livre e mente aberta. São meninas que gostam de viver suas vidas como lhes convém e seguir seus instintos em todos os momentos. Além disso, o fato de uma das entrevistadas não ter definido o que quer para seu futuro, pode demonstrar o medo de se comprometer com uma idéia futura, ou simplesmente o não planejamento dele, o que por sua vez indicaria que essa menina quer viver um dia de cada vez e esperar para ver aonde a vida lhe levará, talvez exemplificando a personalidade aventureira da princesa.

No próximo post, iremos explicar a realização da pesquisa de campo número 2, na qual iremos ao shopping com as “princesas” para analisar seus comportamentos e atitudes no meio social.

Até o próximo post!

Beatriz Jorge.

domingo, 11 de maio de 2008

O que diz a psicologia?

Fomos atrás da opinião de um psicólogo para descobrir qual a verdadeira influência das princesas Disney na personalidade das crianças e qual seu papel na formação de grupos femininos. Como já explicado neste blog, nossa teoria era a de que as princesas acabavam por formar ou mulheres submissas ou independentes, e que estas mulheres se aproximavam de outras influenciadas pelas mesmas princesas.
Qual nossa surpresa quando nos deparamos com um novo ponto de vista sobre o caminho real de influências. Para o professor e psicólogo Arlindo Ferreira Gonçalves Júnior, o que ocorre na verdade é que as princesas Disney já foram criadas para atingir os diferentes públicos alvos, e as meninas se identificam e “consomem” as princesas de acordo com sua personalidade já moldada. Esta personalidade é o que irá aproximá-las de meninas com as mesmas idéias e atitudes, com o mesmo arquétipo – e que, por este motivo, tem a mesma ‘princesa Disney favorita’. Esta aproximação reforça a personalidade inicial da menina.
Os grupos separados por princesas continuam a existir, mas não foram criados pela influência delas - como acreditávamos - foram apenas reforçados por isso.
Outra descoberta interessante foi sobre os contos de fada em geral. Mais especificamente sobre o “felizes para sempre”. O que tem de errado nesta frase?
Segundo Arlindo, “todas estas historias recuperam algo de essencial na figura feminina, que se refere a esta passagem da menina para mulher, e que envolve todos os medos da menina que se torna mulher e a negação deste novo papel que ira assumir na sociedade (para o homem esta passagem não é natural, existe um ritual de passagem, mas para a mulher é natural, e existe o medo do amadurecimento).
A própria idéia do amor como salvação, o ‘viveram felizes para sempre’, já é uma juventude eternizada – ela eterniza isso para não ter que lidar como todo o ônus da fase adulta”.

Em todos os contos existe o amor platônico.
“De acordo com a psicanálise, o maior medo da menina é o da vivencia sexual, tanto é que esses amores são ideais, com que ela não tem contato. O contato carnal é a grande proibição e o grande medo. E recusar-se a casar com aquele a que foi prometida é a manifestação deste medo, projetando um amor ideal e platônico, que termina no ‘felizes para sempre’, sem antes se concretizar realmente. É a consagração da menina que não amadurece. É o mito da perpetua inocência. E todas as princesas são desdobramentos deste mito original.”

Mas se você analisa a Cinderela e a Ariel, por exemplo, percebe que elas são bem diferentes.
“Elas tem a mesma essência. Mas tem mecanismos diferentes para lidar com a mesma situação – a fase de transição do ser infantil pra o ser adulto.
Elas escolhem caminhos para não se transformar em mulher.”

Outra idéia que aparece é a do amor como salvação.
“Salvação do que? Exatamente deste estado conflituoso da passagem para o ser adulto. Neste sentido, o amor funciona como uma mortificação. Por isso que é platônico. O amor platônico só se realiza na morte. Quando Platão descreve o amor, ele vai dizer que quem ama, ama não o outro propriamente dito, mas este outro que é uma mera recordação do amor ideal.
(..)
A beleza eterna , perfeita, é o objeto do amor por excelência para Platão, e isso só pode se realizar idealmente. Em termos psicológicos, o amor platônico é sempre uma patologia, o outro é sempre um ser incessível. Você constrói um altar ideal e coloca este outro neste altar incessível.”

Então o amor platônico é um mecanismo de defesa que impede a criança de se tornar mulher. E quando ela supera essa barreira?
“Quando as pessoas passam a ser reais. E esta é a grande questão, desde Romeu e Julieta. Você não sabe que fim eles levaram, não os vê envelhecendo. Ao envelhecer eles estão amadurecendo e entrando em contato com o outro real. O problema disso é que o outro real sempre vai me dissuadir dos meus ideais, e eu terei que sofrer. Existe uma regra máxima na psicologia: você não cresce sem sofrer. E neste caso o desvio deste sofrimento esta exatamente nesta idealização, neste amor perfeito.”

Você cresce quando deixa de acreditar em contos de fadas?
“Basicamente sim... Infelizmente nós temos que deixar de acreditar em algumas coisas. E não é só isso, nos crescemos quando fazemos um luto simbólico sobre determinadas etapas.”

Arlindo explica que são três os grandes lutos:
-Quando vamos à escola, e deixamos de receber os privilégios que temos em casa;
-Quando deixamos nossos amigos, deixamos de pertencer a um grupo com o qual nos identificamos - geralmente isto acontece no período da universidade, quando deixamos para trás o grupo do colegial e entramos em grupos com diferentes relações;
-Quando deixamos a casa dos pais.

A passagem por esses rompimentos e a experiência do luto são importantes para a formação da personalidade.
Continuar com as expectativas e ideais da infância na vida adulta representa algum problema no seu desenvolvimento psicológico. Sua personalidade não esta amadurecida. Isso é um fator negativo. Mas não é de um dia para outro que você vai se emancipar.

Analisando as fichas da enquete, Arlindo percebeu que a maioria das mulheres que responderam espera se casar. E que o perfil do marido/namorado é sempre ideal – tem que ser o resultado de qualidades ideais. O problema é quando isso se distancia muito das pessoas reais. Ninguém é como essas mulheres descreveram. Agora, por que eles projetam isso? Por que elas tem dificuldade de se entender realísticamente. Elas se projetam no ideal do conto de fadas.

Mas buscar o ideal não te leva mais longe?
“Te leva mais longe de si mesma. O caminho para o amadurecimento é ir ao encontro de si mesma.”


Indicação de leitura, por Arlindo :
Psicanálise dos contos de fada - Bruno Bettelhein


Nara Luiza do Amaral Dias

terça-feira, 29 de abril de 2008

Enquete

Conforme prometido em nosso último post, aqui está o novo, com os dados da nossa enquete. Ela foi feita com trinta mulheres do Centro de Linguagem e Comunicação (CLC) da Puc-Campinas.

Na pesquisa podemos verificar que a Bela (e a Fera) foi a princesa com quem as entrevistadas mais se identificaram. Nove das meninas a escolheram.

As características do príncipe para essas garotas são ser engraçado , inteligente, companheiro, ter caráter, simpatia, ser batalhador, sincero e respeitoso. Todas querem ter filhos e se casar. Outra característica em comum entre elas é querer alcançar sucesso profissional e pessoal (ser feliz). Em relação à religião há uma espírita, uma protestante e as outras são católicas.

As mulheres que se identificam com a Branca de Neve (06) acham que seu príncipe tem que ter honestidade, caráter, bom humor, charme, ser fiel, carinhoso, companheiro, preocupado, respeitador e houve uma que disse que seu príncipe tem que ser “desencanado”. Uma delas não quer ter filhos, as outras cinco querem. As mulheres deste grupo querem trabalhar na área do curso que fazem, ter um futuro confortável, proporcionado por esse trabalho. Querem reconhecimento e orgulho. Serem felizes também. Quanto à religião, uma diz que participa de umbanda, duas participam de espiritismo e três de catolicismo.

O príncipe das quatro mulheres do grupo que escolheu Ariel, tem que ter simpatia, inteligência, caráter, personalidade compatível e beleza. Uma das mulheres não quer se casar nem ter filhos por enquanto, as outras querem. Duas são católicas e duas disseram que não tem religião.

Quatro mulheres na nossa enquete se identificaram com a Cinderela. Para elas o príncipe encantado tem que ter personalidade, atitude, confiança, segurança, ser educado, fiel, companheiro, tem de dividir a vida e os sonhos. Tem que ser um bom ser humano. Todas querem ter filhos. Em relação ao futuro, essas mulheres querem ter boa profissão e família. Uma quer terminar a faculdade em Londres. Todas querem ser felizes. Uma entrevistada deste grupo diz não acreditar em Deus e as outras acreditam na igreja católica.

Jasmim, Mulan e Pocahontas empataram na quantidade de afinidade. Duas mulheres se identificaram com cada uma das três.

O príncipe das garotas que dizem ter afinidade com a Jasmim deve ser inteligente, saber conversar, fazer rir, apresentar beleza a primeira vista e surpreender. Uma delas diz que quer ter filhos mas não quer casar. A outra diz que quer se casar mas não sabe se quer ter filhos. As duas querem ser felizes, terminar a faculdade encontrar um bom emprego e ser independentes. Uma delas é católica e a outra acredita em Deus mas diz não ter religião.

Para as duas que se identificaram com a Mulan o príncipe tem que ter afinidade com a personalidade delas, ter hábitos parecidos, ser educado, culto, ter diálogo. Querem ter filhos, boa profissão, estudar e viajar. Uma é kardecista e a outra católica.

Pocahontas. Para as mulheres deste grupo o príncipe deve ser gente boa, inteligente, companheiro, bonito e amoroso. Quanto a filhos, uma das entrevistadas quer ter filhos a outra não, porém quer se casar. Uma delas é judaica e outra é agnóstica.

Somente uma dentre as nossas entrevistadas se identificou com a Bela adormecida. Ela disse que seu príncipe tem que ser atencioso e inteligente. Pensa em ter filhos. Quer ter uma boa profissão e é católica.

Carol Carvalho



sexta-feira, 25 de abril de 2008

Trabalho de Campo: Perfil das Mulheres

A partir de agora faremos uma pesquisa de campo. Vamos entrevistar diferentes grupos de mulheres e observar o cotidiano delas. A intenção é perceber se de alguma maneira essas mulheres foram na infância e adolescência influenciadas pelas princesas Disney e se a influência se manteve na vida adulta.

Nas entrevistas serão feitas perguntas sobre a vida de cada uma delas, o perfil de homem que gostam, a profissão e como escolheram a carreira, seus hobbys e esportes preferidos, etc, e isso nos mostrará o comportamento de cada mulher. No final da enquete será feita uma pergunta direta: qual sua princesa Disney favorita? (Caso a mulher não conheça todas as histórias vamos lhe entregar um resumo de cada uma).
Com isso poderemos perceber se as respostas dadas pela entrevistada se assemelham com a princesa preferida dela.

Depois faremos uma observação do cotidiano de diferentes perfis de mulheres, para confirmar se elas realmente têm relação com sua princesa favorita.

Após a enquete e os dados obtidos por nosso grupo, levaremos essas informações a um profissional da área de psicologia, que nos ajudará a chegar numa conclusão de como as mulheres são influenciadas pelas histórias das princesas e qual a explicação psicológica para que isso aconteça.

No próximo post já colocaremos alguns resultados das entrevistas e das observações do grupo.


Natasha Fernandes

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Ariel, Bela, Jasmin, Mulan e Pocahontas


Agora, farei um post dedicado às princesas que faltavam: Ariel, Bela, Jasmin, Mulan e Pocahontas! Mas, antes de analisá-las e compará-las com as mulheres do mundo real, vou fazer um breve resumo da história de cada uma, para que você, meu caro leitor, possa conhecer melhor essas 5 Princesas Disney.

Era uma vez, uma princesa chamada...


... Ariel! Ela era a filha mais nova do grande Rei dos mares, Tritão. A princesinha sereia sempre sonhava em um dia ir para o mundo da superfície, mas seu pai sempre a proibia. Um dia, ela se apaixonou por um lindo humano, chamado Eric. Desobedecendo ao seu pai (como sempre), ela deixou o mundo do mar e foi atrás de seu amado. Envolveu-se com uma com uma bruxa má, Úrsula, para conseguir o que queria. Por causa desse envolvimento, ela quase perdeu seu amado e seu pai para a bruxa. Ariel enfrenta Úrsula sem medo e a derrota (para salvar seu pai e amado principe), com a ajuda de Eric (o qual aparece SOMENTE no final da luta para ajudar). Ela consegue se casar com seu amado e tudo acaba com um “viveram felizes para sempre”!
Alguns “dados” sobre “A Pequena Sereia”: o desenho foi feito em 1989. A princesinha, diferente das princesas comentadas no post anterior, é uma Sereia de cabelos ruivos. É uma princesa de temperamento forte, desobediente, que não se prende ao status de “filha do rei”, gosta de ser independente (gosta de resolver tudo, inclusive seus erros, por si mesma) e apesar de ter uma bela voz e ser a mais bela do fundo do mar, ela não se interessa e nem se importa com isso (não coloca a sua beleza exterior e dom acima de tudo).
... Bela! Ela era a filha de humilde comerciante. Um dia, seu pai, voltando de uma viagem, parou no jardim de castelo e colheu uma rosa vermelha e linda para sua filha. A Fera furiosa saiu de dentro do castelo e o tornou seu servo por causa da rosa. Ele volta para avisar sua filha que não poderia mais ficar em casa e explica o porquê. Bela, não pôde deixar que isso acontecesse ao pai e insistiu (até convencê-lo, pois ela era muito teimosa) para que ele a levasse em seu lugar. A Fera concordar em ter Bela ao invés do mercador e o manda embora para casa. Os dias passam no castelo, Bela descobre que Fera é um ser muito amável e gentil (mesmo feio por fora, é lindo por dentro), e os dois acabam se apaixonando. É ai que aparece o egocêntrico e belo (só por fora) Gaston, que queria a linda Bela para si e tenta matar a Fera. A Fera o mata, mas fica gravemente ferida. No desespero em curá-lo, Bela o beija e a “feiosa” Fera se transforma em um belo príncipe e, mais uma vez, tudo acaba em um “viveram felizes para sempre”!
Alguns “dados” sobre “A Bela e a Fera”: Bela, assim como a Cinderela, não começa como uma princesa, ela torna uma quando se casa com o príncipe. E, diferente de todas as demais, ADORA ler! Ela é uma princesa teimosa, humilde, destemida (ela se “sacrifica” pelo pai, mesmo pensando nas conseqüências! Assume os riscos), criativa, vê e se importa mais com a beleza interior do que a exterior das pessoas, e apesar de ser a mais bela de toda a região, Bela não se importava com isso! E... é claro, ela deu um fora (hahahahahaha!) no cara mais “lindo” do lugar (porém egocêntrico e metido), afinal ela não gostava da personalidade de Gaston e não seguia a “tendência das mocinhas do desenho”, que era se apaixonar por homens lindos, fortes e populares (vai contra a “corrente”).

... Jasmin! Ela era a única filha do Sultão. Seu pai queria que ela se casasse, mas ela vivia descartando os pretendes que ele arranjava (queria casar-se por amor e não por obrigação). A "rebelde" princesa amava seu pai, mas não suportava viver dentro do castelo, ainda mais sendo obrigada a casar. Sentia-se presa e queria sair para conhecer o seu povo. Como ninguém permitia que ela saísse, ela fuge do castelo e encontra o ladrão Aladin (ladrão porque era pobre e precisava roubar comida para sobreviver), por quem se apaixona. Aladin consegue se transformar em príncipe com a ajuda do Gênio e conquista a mão da princesa em casamento. No começo ela o evita, acreditando ser mais um esnobe príncipe (de ínicio, ela não sabia que ele era o seu amado Aladin). Ela descobre quem ele é de verdade e aceita se casar. Mas o malvado vizir, Jafar, que queria se casar com a princesa para possuir o trono, estraga tudo. É Jasmin quem o enfrenta (mesmo como prisioneira) e o distrai (na verdade, ela o engana) para que Aladin o derrote. No final, Jafar é aprisionado e Aladin e Jasmim conseguem o seu “viveram felizes para sempre”!

Alguns “dados” sobre “Aladin” (aqui, estou sempre colocando o nome do desenho ao qual cada princesa pertence): Jasmin, diferente de todas as demais, é uma princesa árabe, com a cor da pele mais escura. Ela gosta de escolher o que a lhe interessa (não gosta que decidam o seu destino e nem o que deve ou não fazer... Gosta de fazer e decidir as coisas por si mesma), é bondosa, de gênio forte, não se interessa pelo dinheiro e nem poder, prefere uma vida simples e feliz do que uma vida “presa” em um castelo, é determinada, corajosa (afinal, ela conseguiu BEIJAR aquele NOJENTO do Jafar, para ajudar Aladin a derrotá-lo. Eca!), decidida, faz de tudo por aquilo que quer e por quem ama, é bondosa, não fica esperando pelo “príncipe encantado”, e mesmo sendo a mais linda, não ligava para isso (preferia seus princípios do que sua aparência e status).

... Mulan! Ela era a única filha de um casal humilde chinês. Mulan vivia com seu pai, sua mãe e sua avó. Um dia, precisava ir à casamenteira do povoado, mas como era meio “moleca”, atrapalhada, distraída (coisas que uma mulher na China antiga não poderia ser), acaba se atrasando para o teste. Tudo dá errado e ela é reprovada (não “serve” para ser uma esposa). Quando chega em casa, fica triste por ter se tornado uma “desonra” para a família. Logo depois, o seu pai é convocado para a guerra. Mulan tenta interferir, mas por ser uma mulher, não pode ir no lugar do pai (os homens eram mais “valorizados” do que as mulheres) e por interferir, é considerada, realmente, uma desonra pelo pai. Com medo que aconteça o pior ao seu pai (velho e debilitado) e inconformada por não poder substituí-lo, Mulan corta seus longos cabelos, veste a armadura do pai e vai á guerra. Lá ela passa por enormes dificuldades tentando se passar por homem e ser tão boa quanto os companheiros na arte da luta. Mulan torna-se “o melhor guerreiro” e acaba se apaixonando por seu capitão, por causa dessa paixão, acaba (sem querer) se revelando como mulher. É humilhada e deixada para trás. No final, quando o inimigo invade o castelo e seqüestra o Imperador da China, é ela quem o salva, derrota o inimigo, recebe os “tesouros” do Imperador como agradecimento e é reverenciada por TODOS (inclusive pelo próprio Imperador). No final, ela volta para casa, recupera a honra da família e tem, com seu capitão, o seu “viveram felizes para sempre”!

Alguns “dados” sobre “Mulan”: Mulan também é diferente das demais princesas, é a primeira e única princesa Chinesa, com a pele meio amarelada e olhos bem puxados. (e ela é a única que não é REALMENTE uma princesa, mas é considera uma das “Princesas Disney”). Ela é “rebelde”, fugia da sociedade tradicional (não admitia aquela tradição, indo contra a cultura da sua sociedade na época e se tornando diferente das demais garotas chinesas). É corajosa, valente, não espera que tudo aconteça (ela FAZ tudo acontecer), supera seus obstáculos e suas dificuldades, prova que as mulheres são muito mais do que os chineses achavam ser, e é ela quem toma, sempre, os primeiros passos (inclusive no relacionamento amoroso, hahahaha). “A flor que desabrocha na diversidade certamente e a mais bela!” (fala do pai da Mulan).

... Pocahontas! Ela era a única filha do grande Chefe de sua tribo. Um dia, seu pai disse que ela se casaria com o grande guerreiro Kocoum. Pocahontas se recusa a fazer isso, pois, apesar de ele ser um bom índio, ela não o amava. Ela sai da tribo para pensar e vai até a avó Willow (uma velha árvore com quem conversava) para pedir conselhos. Então, ela avista um navio chegando em suas terras e vai ver o que é. E encontra o belo europeu John Smith, se apaixonando por ele. John, um “assassino de selvagens” também acaba por se apaixonar pela princesa indígena. Ela lhe mostra tudo o que a natureza tem a oferecer (é uma princesa de espírito livre). Kocoum os vê junto e tenta matar John, mas quem acaba morto é Kocoum. A tribo de Pocahontas aprisiona John, para matá-lo ao nascer do sol. O grupo de John é ludibriado pelo ganancioso nobre Ratcliff (que comandava a expedição) e vai ao encontro da tribo. Haveria uma chacina, uma guerra entre “selvagens” e “civilizados” ao nascer do sol. Pocahontas aparece para salvar John e interfere na briga. Usando suas palavras e coragem, ela consegue impedir a guerra e gerar a paz entre os dois grupos. Ratcliff, não satisfeito, atira no pai de Pocahontas, mas John o salva, levando a bala no seu lugar. Para ser salvo e medicado corretamente, John é levado de volta para a europa e Pocahontas fica com o seu povo. Os dois se separam, aguardando que um dia se reencontrem e possam ter o seu “viveram felizes para sempre”!

Alguns “dados” sobre “Pocahontas”: Pocahontas é totalmente diferente das outras princesas também, é uma indígena (“selvagem” como os europeus chamam no desenho) de pele escura, meio avermelhada. É uma garota “selvagem”, que não gosta de seguir as regras que lhe impõem. Não admitia se casar sem amor. Seguia sua vida escutando seu coração e os espíritos do vento (que representavam a natureza), para ela tudo tinha vida. É linda (mas não liga para isso), independente, livre, corajosa e pertinente. Não se conformava fácil, pensava que sempre havia algo para fazer para solucionar um problema, nada estava perdido por completo e nada era complicado demais (não descansou até impedir a guerra). Ela via a essência das pessoas e da floresta ao seu redor (não se prendia a aparência).


Finalmente, vamos começar a “analise”, ou melhor, a comparação entre essas cinco adoráveis e admiráveis princesas com as mulheres do nosso mundo real.

Como podem ver, essas princesas representam aquelas mulheres mais “independentes”, que não ficam esperando o seu “viveram felizes para sempre” acontecer, elas o FAZEM acontecer (repare, caro leitor, que não estou afirmando que assim sejam TODAS as mulheres que as escolhem como heroínas, mas sim, que elas representam um perfil de mulher presente no mundo rela).

Para que não pense que eu, ou melhor, que nosso grupo está sendo etnocêntrista, explico, a partir de já, que no momento estamos apenas dando uma “introdução” a você dos nosso objetos de estudo e oferecendo uma breve demonstração do motivo que nos levou a escolher esta comparação (Princesas Disney e Mulheres Reais).

Há diversos perfis de mulheres pelo mundo, e aqueles perfis parecidos se “simpatizam” entre si, criando grupos de mulheres com características diferentes dos demais. E o perfil ou grupo feminino (se assim você preferir) que estou mostrando aqui, usando essas princesas como base, é o de mulheres que se consideram livres e independentes, que precisam ser protegidas o tempo todo por seus amados, que escolhem seus companheiros pelo o que são e pelo o que sentem por eles e não pela aparência e status. São aquelas que dinheiro e poder não é tudo, mas se precisar desses dois subsídios, os conseguirá por si mesmas e não por outros (ou por “heranças”). São, também, aquelas mulheres de aparências e culturas “diferentes” dos padrões estipulados pela estética social, que não se importam de ser de “raças” diferentes da maioria. Não se deixam ser subjugadas por suas diferenças e nem pelo seu sexo. Adoram provar sua força e capacidade.

Eis aqui, um perfil de mulher!

No próximo post, você poderá ver “enquetes” com várias mulheres (de diferentes idades, raças, jeitos e opiniões), para que possa observar, junto com nosso grupo, um perfil especifico para grupos femininos que possuem uma única princesa Disney como “heroína”.

Se você está curioso, ou quer entender melhor como e o porquê faremos essas enquetes, basta somente esperar pelo próximo post que alguma colega minha (do grupo) fará.

Desculpe pela bíblia aqui escrita e espero que tenha aproveitado (e gostado também) da leitura!

Fontes:

  • http://disney.br.tripod.com/priscila/id16
  • http://www.contandohistoria.com/amigosdisney

Fabiane Zambelli de Pontes